Final de semana que passou, sábadão para ser mais exata, rolou a segunda edição do Newscamp.
Muito bem organizado e mediado pela Ceila Santos, a desconferência visava tirar dúvidas e integrar jornalistas e blogueiros e assessores de imprensa e pessoal de agências e enfim, todo mundo.
Claro que isso não ocorreu lá muito bem, MAS mesmo com os atritozinhos(inhos) que surgiram, acho que deu para esclarecer muita coisa.
Na parte da manhã tivemos uma apresentação geral e depois nos dividimos em duas salas: a de baixo na discussão sobre nova e velha mídia (de novo) e a de cima sobre assessoria de imprensa dentro de blogs (não tenho certeza sobre o tema, por favor corrijam-me se estiver errado).
E eu fiquei na sala de baixo.
A conversa começou num ritmo gostoso, algumas pessoas conseguiram opinar e muito bem sobre o foco do assunto: como fazer a “evolução” das velhas para as novas mídias? Será que adianta mesmo focar em internet? Por que a internet não tem seu conteúdo valorizado? Por que as redações da nova/velha mídia ainda são concorrentes? Por quês e por quês e nenhum porque totalmente respondido.
Disse não totalmente respondido porque acho que se as pessoas respeitassem o direito de palavra a discussão fluiria de forma melhor. Sim, isso foi uma indireta. Não quero criar inimizade com ninguém, mas que é falta de respeito interromper os outros é: primeiro que é feio segundo que o interrompido perde o raciocínio.
Tirando esse pequeno “probleminha” que sempre surge nesse modelo de desconferência, o resto foi ótimo! Dentro do mesmo tema deu prá discutir educação, deu prá discutir política, deu prá falar sobre monetização e ética, mesmo esses sendos temas para o período da tarde.
Nas desconferências os temas se confundem sim, é normal, até porque são todos de um mesmo nicho. Não dá para falar de evolução de mídias sem colocar em pauta a grana, a valorização (e aqui eu quis dizer reconhecimento), a ética e a credibilidade.
E a discussão teve fim e tirei algumas conclusões:
1) Nem todo mundo está preparado para as mudanças do “boom” tecnológico. Os jornalistas presentes tocaram muito nesse ponto, porque quem comanda as redações, na grande maioria, não aceita nem valoriza o online. Que caiam os dinossauros e que comece a nova era né?!
2) A educação do Brasil vai mal, obrigado. Porém com a inclusão digital - computadores mais baratos e a internet mais acessíveis - tornou comum ver crianças/jovens mexendo no computador. Ok, eles só entram na internet para ficar no Orkut e jogar CS. Foi aí que eu entrei e falei o que eu acho certo: se nós - e quando eu digo nós eu digo todos nós - começarmos AGORA a mudar a cara da internet, dando conteúdo, conquistando credibilidade (que por hora poucos realmente têm), se os posts usassem primeiro de bom senso visando qualidade, com certeza essa geração Orkut seria um pouco mais inteligente e usariam a internet de uma forma melhor.
3) Não adianta ir em um evento desses sem a cabeça aberta à novas idéias e opiniões diferentes das suas. Para mim o mais interessantes nesses eventos é aprender, é tirar o cabresto que a sociedade nos impõe e estar apto a dar e receber novas idéias. Ok, eu tive que me preparar psicológicamente antes para não defender tudo que eu acredito com unhas e dentes e acreditar no que outras pessoas me dizem.
E aí, o almoço! Lotamos o Eldorado, rolou até um Chopp. E eu fiquei na massa e na Coca Cola mesmo, porque a tarde seria looooonga!
De tarde: sala de baixo falando de Twitter - será que o modelo de microblogging é aceitável? Você deixa de blogar se têm Twitter? O Twitter é uma forma de comunicação momentânea para expor opiniões?
Eu não vi a discussão inteira, mas só pelas perguntas deu prá perceber que pegou fogo. Tem quem defenda o Twitter, tem quem não gosta e tem quem parou de blogar e ficou só no Twitter. Inclua-se aí o movimento #voltaablogarfugita.
Lá em cima a discussão era sobre monetização. Será que os blogs estão preparados para monetização? Quanto conta a ética nesse interím? Porque as agências não investem tanto quanto deveriam em mídias sociais? Padronização seria a solução?
A conversa fluiu muito bem, adorei as opiniões e sem dúvida foi a discussão que eu mais compreendi, aprendi e associei.
Conclusões? MUITAS!
1) Blogs estão preparados para publicidade - alguns blogueiros é que não estão.
2) Ética é importante, mas nem tudo precisa ser explícito. Os posts pagos estão decaindo por não seguirem esse modelo, alguns blogs que já se adaptaram ainda ganham com essa prática que eu sinceramente acho super aceitável DESDE QUE o post em questão tenha a ver com os assuntos do blog. Post pago que não tenha nada a ver com os assuntos que o blog trata devem ser identificados MAS essa é a MINHA opinião. Ponto.
3) Blogueiros têm que criar Media Kits e os mesmos devem seguir um padrão. Eu não sei se isso é muito válido porque na internet você tem a possibilidade de personalização de templates, são todos diferentes uns dos outros então os Media Kits também são diferentes - o que encaixa no meu blog pode não encaixar no seu!
4) Ainda falta valorização da internet. As agências e a própria imprensa (!) ainda tem medo de investir porque como foi um “boom”, muita coisa errada foi feita - mas é errando que se aprende. À partir do momento que a qualidade aumentar, aumenta a credibilidade e os investimentos. A internet é campo para empreendedores, só falta o aprendizado das empresas, dos internautas e dos usuários. Aqui eu falei em âmbito geral porque nem só de blogs vive a internet, se grandes portais como Terra se dedicassem à uma internet melhor e não a tragédias e bundas, os usuários acabariam mais ávidos por informação, mais estímulados a aprender dentro da rede… Esse tipo de estímulo geraria investimentos de qualidade e aumentaria a credibilidade dos blogs. Ok, os blogueiros também ganharia mais com isso né?!
Conclusão geral do Newscamp:
Falta investimento, falta estímulo, falta qualidade, falta padronização. Falta um monte de coisa, o que não falta são pessoas interessadas em mudar o cenário atual da internet brasileira. Fato - blogs ruins vão sumir. Os bons blogs que ficarem se continuarem gerando conteúdo de qualidade, se continuarem investindo em cultura, se continuarem nesse espírito empreendedor, esses sim vão continuar e vão continuar dando certo.
Adorei as discussões, adorei conhecer pessoas novas e adorei tudo que eu aprendi.
O que eu vou fazer agora?
Melhorar o conteúdo do meu blog e investir pesado em qualidade.
Por que eu não falei de jornalismo colaborativo?
Porque prá mim quem faz jornalismo é jornalista. Todo o resto não pode ser chamado de colaboração e sim de amadorismo. Além do que, acho muito errado um cara às vezes se arriscar para tirar uma foto ou fazer um vídeo e nem o nome dele aparecer.
Jornalismo colaborativo seria uma união entre jornalistas, uns colaborando com os outros. Nem todos os leitores estão preparados e muito menos estudaram para fazer “matéria”.
Do mesmo jeito que alguns blogueiros simplesmente não prestam prá coisa. Os que fazem e fazem bonito mesmo sem formação com certeza leram, estudaram e ralaram muito para alcançar tal patamar e merecem méritos.
Agora, dizer que a Sra. Joaquinazinha escreveu uma MATÉRIA sobre seus quitutes que vende na Sé é chato, feio, bobo e errado. Ela escreveu sobre o que faz e só, ela não está apta à fazer entrevistas, buscar fontes, fazer contatos e tudo o mais que um cara estudou 4, 5, 6 ou sei lá quantos anos para fazer.
E eu nem ia falar nesse assunto, droga. Essa é a minha opinião, MINHA.
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Quando dizem que tudo no Brasil acaba em pizza - MENTIRA! Tudo no Brasil acaba no bar com cerveja!
Todo mundo reunido, bebendo cervejinha, comendo batatinha e as discussões continuando. Quem quase se pegou no tapa senta do lado e dá tapinha nas costas. Falsidade? Dúvido, são pessoas divergentes mas que, dentro do bar, concordam numa coisa: cerveja gelada é mais gostosa.
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QUALQUER erro, favor me comunicar imediatamente!
Não coloquei o nome de todo mundo que compareceu porque foi muita gente. Conheci muita gente legal e seria injusto, chato e feio esquecer de alguém.
Fica meu MUITO OBRIGADO à todos.
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Grande beijo ![]()
April 17, 2008








Horaayy..there are 6 comment(s) for me so far ;)
Não fique comparando com os posts dos outros. A visão é diferente, logo o conteúdo também é. Eu só fiz um resumo do que aconteceu no evento, em nenhum momento deixei explícito (acho que nem implícito) minhas opiniões ou conclusões. Você sim.
[...] Meu Veneno, de Carol: Newscamp, discussões e cerveja [...]
Fala Carol,
bom, eu tinha escrito um texto enorme aqui sobre Jornalismo Colaborativo. Depois vi que deu problema no servidor e tive que voltar a comentar.
Existem formatos e formatos para seções virtuais destinadas a colaboração. Acredito que a idéia é fugir do lugar-comum.
Eu gosto que a dona-de-casa relate um problema na rua de sua residência. Ela contribui como prestação de serviço. É o “único” espaço no qual ela tem voz.. Acho válida a idéia e me apoio em aspectos do exterior.
Dê uma olhada no iReport, OhmyNews e Yoperiodista. Três dos principais serviços destinados ao Jornalismo Colaborativo. Tem retorno, tem formato e dá certo.
Mas é bom ouvir um outro lado, respeitá-lo, e discutir num âmbito off-line. Parabéns pela proposta e vontade de difundir sua opinião!
Bjo Carol
Nossa, kaká, parabéns! muito legal ver aqui suas opiniões e constatar que estamos sim numa grande sinergia. é uma pena que o caos da desconferência não dê tempo para que haja uma certa organização que estimule a participação de todos, mas pra isso existe blogs. e acho que vc já está colhendo e mostrando muitas sementes que foram jogadas por lá em outro formato mais claro. valeu, garota! e obrigada !
Kakáaaaaaa…
nóssa, mó medo de não conseguir escrever bonito igual seus amigos q comentaram antes de mim. Porém superei minha fobia e passei aqui só pra deixar um beijo, então, BEIJO. hahahaha
[...] apesar de ter dito para algumas amigas que não ia, convencida pela Kaká de que posso ir no Luluzinha Camp. Fiz a inscrição tarde, vamos ver se me aceitam. Eu queria ir, [...]