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post Categoria: Contos Da Carochinha post postApril 17, 2007

Era uma manhã ensolarada, daquelas em que dá até gosto de acordar!
Aninha saiu de casa correndo, atrasada como sempre e nem se deu conta do dia lindo que fazia. Pegou sua bolsa, saiu penteando os cabelos negros e colocando os brincos. Sabia que seria mais um dia daqueles na sua vida.
Aninha foi casada 10 anos com um moço muito bonzinho, o Joaquim. Mas mesmo assim, eles não estavam se dando bem e resolveram se separar. Decidiram, foram ao advogado e estava tudo certo. Só que Aninha não esperava que seu ex-marido Joaquim ia querer a guarda de sua filhinha, a Bia. E assim Aninha se viu numa guerra não só pela guarda, mas uma guerra com seus sentimentos…
Vamos remeter à linda manhã?! Ok!
Aquela era a audiência final. Aninha estava esbaforida, mas havia chegado a tempo. Seu advogado estava esperando, entraram, sentaram e aguardaram.
A garotinha tinha 8 anos, herdara os cabelos negros da mãe e os olhos sapecas do pai. Estava confusa, mas sabia o que queria e iria dizer aquilo ao juíz. Herdara a determinação de Aninha também.Entrou, sentou-se no seu lugar e ficou a olhar para o juíz. Não tinha medo daquele homem velho, pelo contrário, sentia certa compaixão. Deu um sorriso não retribuído ao velho e sua compaixão até diminuiu um pouco.
Meia hora depois…
A angústia de Aninha só aumentava. O ex marido tinha um apartamento, enquanto ela só contava com a casa de sua mãe e isso estava gerando um certo conflito, afinal, quem tinha casa própria ficava com a pequenina.
O juíz resolveu então perguntar para a pessoa mais interessada. Bia estava quietinha, só ouvindo e sabia que chegara sua vez de falar e ela ia falar tudo:
-Beatriz, você terá que decidir com quem vai ficar, você quer ficar com o papai ou com a mamãe?
-Quero ficar com os dois.
-Mas você não pode terá que escolher um deles.
-Papai, lembra quando a gente foi tomar sorvete há um tempo atrás? Não faz muito tempo, foi antes dessa babaquice de separação. Você me disse que a mamãe era genial, era interessante, bonita e acima de tudo, a pessoa mais doce que você conhecia. O que mudou? Lembra mamãe, quando a gente foi comprar aquele tênis para eu ir à escola, que você me disse que você e o papai sempre se deram bem porque conversavam, que o tal do diálogo é tudo em uma relação, inclusive na nossa de mãe e filha? Lembra mamãe que você disse o quanto papai era especial e nos amava? Porque isso agora, o que é que mudou? Sr. juíz se não for para ficar com os dois, não quero ficar com ninguém!
O juíz parou, pensou e resolveu tomar uma decisão inusitada, visto a troca de olhares entre os pais da menina depois do discurso inflamado da pequena. Bia conseguiu o que estava querendo, ele pensou e por isso tomara aquela decisão, pela pequenina de olhos sapecas:
-Senhores, tomei uma decisão. Quero deixar aqui, a sós o casal, eles precisam conversar um pouco a sós para decidirem se vão ou não acabar com essa “babaquice” como disse a pequena Bia.
E deu uma piscadela para a pequenina, que recuperou toda a compaixão pelo velho de cara amarrada. Conseguira, eles iriam conversar! E lá se foram todos e ficou o casal:
-Querida, não sabia que você me achava especial. Eu não sabia que você me amava tanto. Por quê você nunca me disse?
-Eu tentei querido, mas você estava muito ocupado cuidando da gente, nem se deu conta dos pormenores que eu deixei para você notar todo meu amor.
-Pormenores, como assim?
-A Bia foi o primeiro deles. Ela tem seus olhos, eu a amo muito. É o nosso grande pormenor. Depois veio o Rex, nosso cachorrinho. Ele te adora, sente sua falta, é um pormenor que eu te dei e você não notou. Todo dia eu cozinhava com todo o meu amor para você. É outro pormenor que você não notava. Todo dia eu me vestia para você, me arrumava para você, fazia tudo para você me notar, são pormenores, mas você não percebia. Eu estava dizendo o que sentia, mas do meu jeito. E você nunca aceitou isso.
-Querida, vamos acabar com isso tudo? Essa babaquice de separação? Vamos ser de novo a família linda que éramos?
-Ai, vamos!
-Eu te amo querida!
-Eu também!
E chamaram todo mundo, agradeceram ao Sr. juíz e aos advogados, pegaram nas mãozinhas da decidida Bia e foram embora, tomar sorvete.

Essa história é meio bobinha, mas tirei duas lições dela.
A primeira é: quando te derem a oportunidade de falar, fale sem medo, com objetivo, diretamente.
A segunda é: demonstre seu carinho diarimente, não só com pormenores, mas com palavras, bilhetes, carinhos e presentes!


Beijinhos para todos!
Obrigado pelos comentários!

Horaayy..there are 12 comment(s) for me so far ;)

#1

snif…
que hitoria comovente…
se eu tivesse uma namorada agora ate ligava pra ela so pra falar eu te amo…
mas ja q nao tenho…
mas eu amo minha familia

Gardien wrote on April 17, 2007 - 11:07 pm
#2

prometo que quando chegar em casa eu leio.

Carbono wrote on April 18, 2007 - 12:16 am
#3

muito legal, esses atos um tanto quanto simples, fazem toda a diferença..

guilherme wrote on April 18, 2007 - 12:37 am
#4

chorei, pqp!

=/

tive um grande decpção hoje, por falta de carinho, ou sei lá…enfim…
coisas do ser (des)humano.

Ah..
Legal conversar com vc…se precisar tagarelar a toa de novo é só chamar.
=)

emily wrote on April 18, 2007 - 2:14 am
#5

Que história feliz!
Adorei!

Beijos!!!

Clara Gomes wrote on April 18, 2007 - 11:58 am
#6

olá kaká…
bonita história, viu?
De fato as vezes o que falta pras pessoas é parar e valorizar não os defeitos, mas as virtudes das pessoas. O mundo está nessa merda, porque todos preferem qualificar de erradas ou inconvenientes as atitudes alheias sem nem ao menos se dar conta do quanto o próprio umbigo pode ser chato!
O amor é isso… abrir consessões em busca de um bem maior, no caso a harmonia e a felicidade!
PQP… que bonito isso que eu escrevi! Acho que vou reinvidicar uma vaga na Associação Brasileira de letras no lugar do Paulo Coelho!! hehehe
Beijokas Amiga!
si cuida!

Zé Luiz Sykacz wrote on April 18, 2007 - 12:21 pm
#7

Sabe Kaka, eu já estive no lugar da Bia, mas ao contrário dela o que meus pais faziam não eram uma “babaquice” era o correto, já que eles já estavam se magoando, e na hora da fatídiga pergunta, creio que eu tinha em torno de 7, 8 anos tbm eu respondi que não queria ficar com um nem outro para não causar mais brigas, respondi que queria ficar com minha avó se ela me quisesse por lá, rs! Lembro-me que o juíz disse: A criança é muito mais sensata e inteligente que vcs!!! Na verdade eu creio que as crianças vêem as coisas com mais clareza, com carinho… Linda história, bobinha porém útil! Beijos Mil… http://templo.dos.sonhos.zip.net

Chris wrote on April 18, 2007 - 12:41 pm
#8

Num dia-a-dia corrido como o que temos, as vezes é bom ler uma historia dessas, lembra que as vezes, nos detalhes mais bobos, estão os tesouros mais sinceros.

[^.^]

Edu Morenno wrote on April 18, 2007 - 1:10 pm
#9

Adorei essa história.. consegui tirar uma 3ª lição dela: coisinhas simples são mais valiosas do que pensamos, e dizem mais do que palavras.. Pequenos gestos, grandes efeitos ^^
Te linkei no meu blog tbm, certo? Beijos, adoro seu blog

Gabri wrote on April 18, 2007 - 10:57 pm
#10

Hummmmmmmmm esse texto não é estranho….qlq identificamos é mera coincidencia?!!!

bjs

Fada wrote on April 19, 2007 - 4:43 pm
#11

Ops!!! eu quero dizer identificação!!!!

Fada wrote on April 19, 2007 - 4:44 pm
#12

Kaka! Que legal!
Adorei o texto, mas gostei mais ainda das lições que tomou dele. Vou tentar ser um namorado, irmão, filho e amigo ainda mais carinhoso depois desta. ;*

Ah, e o Zé com certeza toma o lugar do Paulo Coelho na Academia de Letras. ;P

Beeeeijos!

presidente wrote on April 20, 2007 - 4:45 am
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